“Socooooorro! As babás estão em extinção”

Gente, adorei esta matéria que saiu na Época online! Meu amigo Gusta me mandou, por saber que eu me interesso pelo assunto… hehehe. Gostei deste negócio de “Criança Terceirizada”…

 

Socooooorro! As babás estão em extinção

Kátia Mello

De um dia para outro, eu fiquei sem babá. A pessoa que cuidava do meu bebê de 7 meses e do meu outro filho, de 3 anos, quebrou o pé e anunciou que partiria para sua cidade natal, na Bahia, onde a mãe poderia tomar conta dela. Depois de sua partida, o caos instalou-se em minha casa. Eu e meu marido somos profissionais liberais e não tenho sogra ou mãe na mesma cidade. Então com quem deixaria meus pequenos?

Comecei a minha saga atrás de uma babá e em três semanas descobri o que as estatísticas acabam de revelar em uma pesquisa inédita da Organização Internacional do Trabalho: há uma grande demanda de babás e uma pequena oferta de boas profissionais nesse mercado. O Brasil é um dos poucos países em que ainda há serviço doméstico. São 6,6 milhões de brasileiros que ocupam essa categoria, sendo que, desse total, 93,2% são mulheres e 6,8% são homens. As babás são 10%, ou seja, são mais de 6oo mil mulheres, mas está cada vez mais difícil encontrar uma boa profissional, com referência e experiência. Como a demanda é grande, o que existe é um aumento no número de mulheres que querem ser babás por conta do salário. São empregadas domésticas, auxiliares de enfermagem, cozinheiras e até arrumadeiras temporárias que, desempregadas, buscam a chance de ganhar melhor que uma empregada doméstica. O piso salarial de uma babá é o mesmo de uma empregada doméstica, o salário mínimo nacional, de R$ 465,00, mas elas podem ganhar cerca de R$ 1.200, dependendo do tipo de trabalho que exercem. As que não têm experiência e formação acabam zanzando de agência em agência, sem obter emprego.

Na Inglaterra são raras as mães trabalhadoras de classe média que podem pagar as 10 libras (cerca de R$ 32) a hora, exigidas por uma au pair. Talvez as nossas tradições da casa-grande & senzala tenham feito com que nos tornássemos dependentes dessas mulheres dispostas a cuidar de nossos filhos. O pediatra José Martins Filho, ex-reitor da Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, vai além. Ele diz que as mães brasileiras delegam tanto os cuidados de seus filhos que eles estão sendo terceirizados. Autor de A Criança Terceirizada – Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo (ed. Papirus), Martins diz que a mãe deveria cuidar de seu filho até que ele completasse 2 anos. Além de ter defendido a licença-maternidade de seis meses (aprovada no ano passado), ele diz que a mãe, para poder amamentar, deveria trabalhar apenas meio período ao voltar da licença. Mas como fazer isso no mundo moderno?

Se, por um lado, as babás tornaram-se auxiliares fundamentais para quem trabalha fora, por outro existe a percepção de que elas realmente estão substituindo as mães e fazendo parte dessa terceirização a que o pediatra se refere. É só prestarmos atenção em como aumentou o número de mulheres de branco nos domingos cuidando de crianças na Praia de Ipanema. Ou ainda reparar nessas profissionais dando de comer aos bebês nos almoços dominicais em shoppings paulistanos. Onde estão as mães que delegam tudo às babás, até nos fins de semana? Martins prega a conscientização daqueles pais que reclamam que é um “saco, trabalhoso e chato” cuidar dos pequenos. Ele diz que, antes de ser pai ou mãe, é necessário saber que criança dá mesmo muito trabalho.

Senti essa exaustão na pele e até adoeci (tomei antibiótico, corticoide e muitas inalações para a minha bronquite). Voltei a ter uma ajudante. Mas ficar sem ela durante um certo período também me trouxe muitas alegrias. Passar a dar banho nos meus filhos diariamente se tornou uma das atividades mais prazerosas do meu dia a dia. E você, acredita que as mães estejam terceirizando a maternidade?

14 Comentários

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14 Respostas para ““Socooooorro! As babás estão em extinção”

  1. Suzana

    Pessoal,

    A solução é ESCOLA em tempo INTEGRAL!

    Boa educação, bons cuidados, atividades pedagógicas. Nada de tv nem video-game. E o melhor: as crianças adoram!

    Só tem que fazer um certo esforço financeiro…..

    Suzana

  2. Giselle

    Amiga, já tem um tempo que o Fernando fala exatamente isso pra mim… que está acabando esse tipo de mercado, portanto, hoje tenho empregada, mas ela não faz nada pra cuidar deles. Eu que cuido. É muito trabalhoso e chato sim, mas é muito mais recompensador. Há 1 ano atrás descobri que eu não estava dando a devida atenção aos pimpolhos, e consequentemente, não estava nem um pouco satisfeita com a “educação” dada pela babá…rs. Então me esforço de verdade. Por coincidencia também adoeci, mas estou firme! O que sei é que vale mais ganhar menos dinheiro, do que ter filhos “terceirizados”… bj com saudade!

  3. carmem aguiar

    o que mais me impressionou foi o salário.. pelo visto elas são disputadas a peso de ouro… graças a deus que tive dona irene, mãe e avó na minha vida e na da eduarda. embora eu concorde muito com a suzana.. escola integral eu acho melhor que babá… não confiaria minha filha, tanto é que ela ficava a metade do dia na creche e a outra com minha mãe. VIVA AS AVÓS !!!!!
    bjs
    carmem

    • semempregada

      Pois é, eu tive saudade da moleza que era quando morava no Rio e deixava na casa das vovós, pra poder cair na farra… hehehe.

  4. Deinha amada, que bom que vc atualizou seu blog. A matéria é mesmo muito boa e acredito que muitas famílias realmente “terceirizam” a criação dos filhos. Porém, há casos em que a situação vai muito além do comodismo. É difícil hoje em dia encontrar mães que possam abrir mão do emprego e do salário para se dedicar exclusivamente aos filhos. Um sonho dourado… Adoro cuidar da minha filhota. Curto até as partes mais “chatas”, como banho e alimentação. Porém, por trabalhar em período integral (altamente necessário para nossa sobrevivência) e não ter família por perto para dar suporte, não tenho outra saída a não ser recorrer aos serviços de uma babá. E, ufa, tem dado certo até o momento!
    Sobre escola integral, acho que cai no mesmo problema, vc terceiriza, só que em vez de passar o serviço para a babá, vc passa para as professoras… rs…
    Saudades demais de vc!
    Bjão

    • semempregada

      Acredito em um equilíbrio possível. Hoje, eu não deixo mais de ficar com as meninas para fazer certas coisas tipo unha, depilação, cabelo etc. No horário de trabalho, não tem jeito, mas o que eu estou tentando evitar são os “extras”. Tem gente que diz que não consegue viver sem este “make-up”. Eu também não! Então, faço correndo, nos horários em que elas estão na evangelização, aos sábados à tarde. Não me sinto culpada por trabalhar, mas me sinto culpada quando aceito alguns convites para jantar…

  5. semempregada

    Você com ciúmes???!!! Só se for do Dudu! Agora, só você mesmo para dar roupa de lua de mel pra babá usar…

  6. Oi, estou passando pra conhecer seu blog, bjs otimo fds

    aguardo sua visita🙂

  7. Adriana

    Andreia,

    Adorei o Blog, a redação leve sobre o tema pesado – a mudança de hábito necessária que precisamos fazer de vez em quando…
    Voltei de viagem (nos encontramos em SP e eu já vivendo essa situação) e tinha acabado de aceitar a auto – demissão da diarista que ficou chateada por eu ter reclamado que ela manchava minhas roupas caras… Decidi aceitar e lembrar que éu tenho saúde e disposição para ir a luta… Mas antes vou me armar e comprar o adiado aspirador potente. Afinal, se a era é moderna, que venha a mecanização geral!!!! Bjs e continue postando, pois nos dá forças para resistir…
    Adriana Vieira – Uma Carioca em SLZ-MA, agora all by myself em casa…

  8. Adriana Rodrigues

    Olha eu também concordo em deixar na escolinha,mais realmanete os preços estão demais.
    Andei pesquisando porque ano que vem quero por minha pequena, mais ta complicado achar uma escolinha boa e que seja menos de R$ 1.000 mensais….por enquanto vou curtindo essa fase boa de cuidar 100% dela afinal so tem 9 meses da uma do rsrs

  9. Lidice

    Boa matéria. Eu não delegaria a atividade a uma babá. Por mais extenso que seja o seu currículo e mesmo aquela com significativas referências. Creche não adoece, não falta, não xinga palavrão, não fuma, não perde a paciência, não é sem higiene, não é impaciente, enfim, creche oferece serviços como aula de música, de dança, psicomotricidade, entre outras. Sem falar na sociabilidade saudável e facilitação de um desenvolvimento acelerado. Até as viroses antecipadas são úteis para o fortalecimento da criança. Claro, se possível após o primeiro ano. É muito romantizada a ideia de não terceirizar alguns cuidados básicos. Isso não é delegar a maternidade, pois o bebê reconhece na sua mãe, sempre e sempre, o melhor colo. Sempre foi assim. O instinto fala mais alto mesmo que tenhamos de passar várias horas sem eles, os nossos amados bebês. Desde que eles sejam verdadeiramente amados, as horas passadas na creche não serão as mais importantes da sua vida. Ele saberá distinguir o tempo com os seus pais e com as suas tias. Não me sinto culpada e as horas do fim de semana que passo com ele. Sempre bem trabalhosas, no entanto, de muita alegria e prazer.

  10. Lila

    Humm, deixa eu ver se eu entendi: licença maternidade de seis meses, mas a mãe deve cuidar de seus filhos com exclusividade até os dois anos? Então, a licença não deveria ser de dois anos???!! Como é na Alemanha e em outros países??? Daí sim, eu posso concordar com esse médico fulano. Então tá: licença maternidade ou paternidade (a escolher) com salário integral e demais auxílios até a criança completar 2 anos, idade em que poderá ir pra creche sem problemas! E aí? Quem vai defender comigo essa causa???

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